23/07/2013 - INFLUENZA: aspectos atuais

INFORMATIVO

INFLUENZA: aspectos atuais
A Influenza é importante problema de saúde pública, sendo responsáveis todos os anos por 3 a 5 milhões de casos graves e 250.000 a 500.000 mortes no mundo. Na época de maior sazonalidade, ocorre aumento substancial no numero de consultas médicas e hospitalizações por pneumonia e a gripe causa enorme impacto socioeconômico associado aos custos diretos (consultas médicas, uso de medicamentos) e indiretos (perdas econômicas devido ao absenteísmo/ presenteismo ao trabalho).
A doença afeta pessoas de todas as faixas etárias e dissemina-se rapidamente, principalmente, nos meses mais frios; entretanto, os vírus circulam durante o ano todo e frequentemente existe cocirculação de mais de uma cepa de influenza (A e/ou B).
A intensidade das epidemias de gripe varia de ano e está relacionada à virulência das cepas circulantes e à imunidade da população pós-exposição natural ou adquirida por vacinação. O risco de surgirem novas cepas com grande virulência e capacidade de causar epidemias é esperado, mas é impossível prever qual será a nova cepa emergente e quando ocorrerá uma nova pandemia.
Sempre que surgem novas cepas para as quais não existe imunidade prévia, observa-se maior acometimento de adolescentes e adultos jovens.
Após a pandemia de 2009 foi ampliada a vigilância da síndrome respiratória aguda grave (SRAG). No Brasil, em 2012, foram confirmados 20.539 casos hospitalizados de SRAG, 19,5% causados pelo vírus influenza, com predomínio da cepa A (H1N1)pdm09. O aumento de casos graves e mortes (439) por influenza causou maior impacto nos estados do Sul e Sudeste e 80% das mortes (351) foram causadas pela cepa A (H1N1)pdm09, que teve baixa circulação nos pais nos anos de 2010 e 2011. O maior percentual de isolamento da cepa A(H1N1)pdm09 nos casos de SRAG e mortes foi observado em pessoas com idade entre 15 e 59 anos e 25 a 29 anos, respectivamente, ressaltando-se que esses grupos não são alvos das campanhas  de vacinação no Brasil.
Enquanto no Brasil predominou a cepa A (H1N1)pdm09, nos EUA, em janeiro de 2013, foi identificado aumento significativo no numero de atendimentos e hospitalizações por influenza e pneumonia pela A (H3N2) /Victoria/ 361/2011.
Historicamente, as cepas A (H3N2) têm sido associadas a maiores taxas de morbi/ mortalidade, fato que levou as autoridades de saúde americanas a alertam a população para a necessidade de vacinar todas as pessoas com mais de 6 meses de idade. Felizmente, essa cepa está incluída nas vacinas de influenza recomendadas para esta temporada de gripe nos hemisférios norte e sul e um estudo de efetividade realizado pelo CDC de 03/12/2012 a 02/12/2013 revelou a proteção conferida pela vacina foi de, aproximadamente, 60% (IC95%:51%-71%). Essa estimativa está dentro da faixa esperada nas estações em que a maioria das cepas circulantes apresenta bom pareamento com as cepas vacinais. Além de reduzir a morbidade, a vacinação reduziu em 60% o numero de consultas por síndrome gripal.
Estima-se que a gripe seja responsável por 40% das faltas ao trabalho e que a vacinação propicia redução de até 60% no absenteísmo, presenteismo e uso de antibióticos. Em estudo realizado no Brasil em 2009, incluindo 894 funcionários de uma empresa, estimou-se que retorno de investimento na prevenção da gripe por meio da vacinação propiciou retorno sobre o investimento de 3,5:1. Dados recentes dos EUA revelaram que os custos da influenza para os trabalhadores saudáveis aumentaram 04 vezes de 2005/2006 para 2008/2009, antes do surgimento da pandemia pelo A (H1N1)pdm09. A preparação para o enfrentamento de futuras epidemias e pandemias de gripe requer planejamento e desenvolvimento de uma cultura de vacinação. As vacinas contra gripe são muito seguras e são raras as contraindicações. A proteção conferida por vacinas é maior em adultos jovens e saudáveis, e também depende de fatores como experiências imunológicas previa similaridade entre cepas circulares e coberturas vacinais. A vacinação em larga escala controla mais rapidamente a disseminação de agentes infecciosos, propiciando proteção direta aos vacinados e indireta aos não vacinados. Em 2013, portadores de doenças crônicas poderão receber a vacina de influenza nas unidades de saúde, porem, muitos indivíduos desconhecem sua condição de risco, principalmente entre os adultos jovens. Os benefícios potenciais da vacinação em larga escala estão diretamente relacionados à facilidade de acesso e aceitação das vacinas que, por sua vez, depende da educação sobre os riscos da doença e os benefícios da vacinação.

 

Referências bibliográficas
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Referencia: Jornal Anamt
www.anamt.org.br



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